Buscar
  • Movimento ETUS

Deles é o Reino e a justiça social

“Não agüento mais! Ambulância, polícia, bombeiros, etc. Muitas pessoas morrem esfaqueadas, por doenças, tiros e muito mais. As pessoas não pensam no que estão fazendo. Só pensam em si, pois matam os filhos, homens vão presos, salários atrasados, pessoas desempregadas, isso é o Brasil. Mas o Brasil pode ser um lugar de paz, respeito, amor, carinho, saúde. Este é o Brasil que eu quero! O Brasil que o povo quer”. (Desabafo de uma criança de onze anos de idade, após vivenciar um fim trágico do episódio de uma família em vulnerabilidade social na cidade de Cabo Frio, RJ)




O anseio de justiça, de transformação, manifestado como um ato de impotência, retratado nas entrelinhas de uma magna carta de uma infância, nos desafia sair da posição de inércia, para combater o bom combate. A não conformidade com a realidade deve impulsionar a voz da consciência a erguer um grito de perseverança, na luta da desigualdade, na busca pela justiça social.


Não bastar proclamar, é preciso praticar.

Não bastar proclamar, é preciso praticar. Cada criança é um país, pesquisas revelam que 40% das crianças brasileiras vivem em famílias pobres, com meio salário mínimo por renda per capta, e oito milhões de crianças até quatorze anos vivem em extrema pobreza, famílias que sobrevivem com menos de ¼ de renda per capta.

O Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Art. 4º diz “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. Nossas crianças são o país de hoje, a igreja de hoje, o adulto do amanhã.

Diante do cenário de desigualdade, intolerância, preconceito, corrupção, é uma utopia falar em justiça social nos dias atuais, pois são tantos desafios impostos ao povo brasileiro diariamente, e na corrida pela sobrevivência acaba deixando o essencial para trás. Vale ressaltar: “Ai de quem fizer tropeçar um desses pequeninos” (Mt 18.6)


“Ai de quem fizer tropeçar um desses pequeninos” Mateus 18.6

A criança é um ser em desenvolvimento, portanto precisa de cuidados especiais, de tempo com qualidade, de investimento em sua autoestima, necessita de instruções durante o percurso do caminho, da jornada que é a vida. Ao direcionar o olhar ao um pequenino, é possível contemplar a seara e as oportunidades de colheita, Jesus sabia disso e deixou uma ordenança, “não as impeçam”. Ao negligenciarmos essa ordem, não oportunizamos conduções para que a justiça social seja efetiva. Os problemas sociais, econômicos e psicológicos não são solucionados com discursos, é mister acolhimento.


A igreja deveria ser o equipamento de referência de promoção da justiça social, pois o Senhor ama a justiça.

A igreja deveria ser o equipamento de referência de promoção da justiça social, pois o Senhor ama a justiça. A missão da igreja é evangelizar, contudo, sem excluir o lado social humano, sem discriminação de classe, de cultura, de religião, de raça, de etnia, de orientação sexual, de idade. Respeitar o humano é promover o indivíduo à vida em sociedade, este é um vasto campo a ser arado, é uma tarefa interminável, pois o respeito é algo que se constrói; para que exista igualdade de direitos é necessário que exista respeito às diferenças e equidade ao diferente.

O Cristianismo é vida, Cristo Jesus é o modelo a ser seguido, e o cristão deve está pronto para colocar em prática os ensinamentos do mestre, realizando ações que venham suprir as necessidades conforme a realidade em que está inserido, compreendendo o seu campo missionário.


(I) ntegração
(G) arantia
(R) espeito
(E) sperança
(J) ustiça
(A) ssistência

Só promove a justiça social quem “tem fome e sede da justiça”, assim como o cristianismo a justiça é para ser vivida e observada de dia de noite, o justo poderá refletir a definição de justiça pelos seus atos. Através do viver se promove a justiça social, traçando caminhos, deixando rastros ou passos a ser seguidos, sob orientações concretas para ações concretas.


Podemos concluir, então, que a Justiça social concede a dignidade humana, a concepção de valor é espiritual e moral inerente à pessoa. Todos os direitos humanos têm como pilar a dignidade da pessoa humana.

É tempo de investir tempo no outro. Brasileiros à vista! Que sementes estamos a semear nesta nação que plantando tudo dá?


Autora: Cristiane Moreira Lemos - Igreja Batista Nova Jerusalém - Cabo Frio - RJ

Coordenadora de Projetos Sociais e Professora da EBD - Bacharel em Serviço Social - Pós-Graduação em Libras

79 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo