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  • Movimento ETUS

Eu tenho um sonho!

Atualizado: 27 de fev. de 2020

Carta aberta a comunidade evangélica brasileira

Martin Luther King Jr. Memorial - Washington, DC.

Vivemos, e viver é estar sujeito as intempéries sociais, políticas, ambientais, econômicas presentes nesse mundo.

Carta aberta a comunidade evangélica brasileira


Meus irmãos e irmãs, sabemos que viver em Cristo é a maior dádiva que um ser humano pode ter. Conhecer intimamente o Espírito Santo e poder, com liberdade, adorar a Deus é algo sublime. Não há forma melhor do que atestar esta Graça do que experimentando. Sabemos que Fé é um mergulho, despido de qualquer recurso, medo ou pré-conceito. Temos uma crença, irrefutável, que Deus coordena nossas vidas e que nEle devemos depositar todos nossos anseios. Se assim temos feito, estamos cumprindo o primeiro mandamento que Jesus nos ensinou.

Tenho percebido, caros irmãos, que temos nos esquecido do segundo mandamento. A igreja brasileira, os evangélicos brasileiros, tem sido atraídos por uma falsa doutrina, baseada na soberba e na vaidade. Temos avançado para arena pública de modo perigoso, atrelado a ideologias espúrias. Estamos trazendo lobos aos microfones de nossas igrejas. Para além do despreparo de muitos "políticos evangélicos", que até são bem intencionados, há aqueles que são fugazes em aproveitar de nossa benevolência. É urgente que a igreja brasileira se volte também ao segundo mandamento, que entendamos que o amor ao próximo é vital para a prosperidade de nossa sociedade.


Na minha caminhada cristã, desde muito pequeno, atestei o amor de Deus. A cada estágio da minha vida pude perceber o cuidado de nosso Senhor. Considero, talvez por otimismo, que tive pequenos percalços na minha trajetória. Não sou uma pessoa marcada por grandes tragédias, sou agraciado com uma certa estabilidade. Mesmo assim ou assim, me sinto imbuído de fazer algo nesse mundo injusto e caótico.


Não tenho feito uma jornada protocolar, em púlpitos ou grandes congressos. Tenho travado batalhas solitárias em ambientes hostis. Levanto minha voz em locais onde há ouvidos resistentes, qualificados e municiados por argumentos, por vezes, contundentes. Lido, diretamente, com o diferente. Com aqueles que nos veem como idiotas, como ameaça ou como trampolim.

Tenho aprendido que o dia dia da vida real é onde mais necessário é ser igreja. Lutar para transformar esse mundo, sem esperar nada em troca, nem mesmo que me ouçam, é o que tenho me dedicado.


Amar ao próximo, o que considero ser o mandamento esquecido nos dias atuais da igreja evangélica brasileira, é o meu grande sonho. Na verdade, é ter uma igreja que seja exemplo de amar gratuitamente o diferente, sem a menor presunção de doutrinar. Amar ao próximo é entender que há uma sociedade complexa, variada e com diferentes visões, porém, carentes daquilo que é a cola, a junção dos povos. A fraternidade!


Por isso, meus irmãos e irmãs, os convoco a sonhar juntos. Vamos lutar por um mundo onde a igreja seja reconhecida por fonte de união. Que ama de graça. Que faz a diferença na vida das pessoas sem esperar nada em troca.




Qual é o nosso sonho?


Se fizermos uma análise lúcida do mundo em que vivemos, seja com base na Bíblia, nos livros de história ou em relatos de pessoas que viveram em outras épocas, perceberemos que estamos em pé sobre uma frágil estrutura social. Se você tem mais de 40 anos de idade, possivelmente seus avós viveram em plena 2º guerra mundial. Ou seja, relatos vívidos e recentes de um mundo em colapso. Não é necessário ir tão longe no tempo e no espaço para visualizar que a realidade que nos rodeia pode ser absurdamente cruel. Basta irmos em algum centro urbano para encontrarmos pessoas em situação crítica de sobrevivência. Moradores de rua se multiplicam no Brasil e até, no país mais rico do mundo, os Estados Unidos.

O ponto é, vivemos em uma sociedade. Vivemos, e viver é estar sujeito as intempéries sociais, políticas, ambientais, econômicas presentes nesse mundo.

A igreja evangélica brasileira, em suas variadas manifestações, em certa medida tem dificuldades de compreender o mundo ao seu redor. Existe uma bolha, maligna, que arrodeia e impede boa parte dos nossos irmãos em cristo agirem em prol social. É um pensamento descoordenado, onde o individualismo da conquista individual sobrepõe o coletivismo do amor ao próximo. É um transtorno psico-social, desamparado de qualquer fundamento Bíblico. É o entendimento medíocre de Deus.


Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão. 1 João 4:19-21


O convite que faço é maior do que dispor de tempo ou recursos financeiros para fazer caridade. Por sinal, é imprescindível que se faça isso. Caridade é fazer ação gratuita livre de qualquer julgamento. É partir do pressuposto que a pessoa em que ajudo tem nome, sobrenome e um calhamaço de história que eu desconheço. É se interessar, verdadeiramente pela aquela pessoa. Sabemos que a entrada para uma vida plena é o convite para viver em Cristo, entretanto, é um convite. Caso não aceito, o nosso dever é ser caridoso, como já disse, livre da presunção moral ou religiosa.


Explicado o conceito amplo de caridade, o convite que reiteradamente faço é de mudança de consciência. É urgente que nós provoquemos na comunidade evangélica brasileira o entendimento do seu papel na sociedade. Nós, como igreja, devemos ser aqueles que promovam o diálogo e não o conflito. Aqueles que convivem em harmonia com as diferentes opiniões, mesmo que convictos das nossas. Aqueles que inspiram confiança.


O Movimento ETUS, portanto, surge de um coletivo de sentimentos, sendo o mais importante deles a irremediável vocação de ser uma coluna de sustentação em nossa frágil estrutura promoção de justiça social.





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