Buscar
  • Movimento ETUS

A FRENTE PARLAMENTAR EVANGÉLICA


A Frente Parlamentar Evangélica, também conhecida por Bancada Evangélica, é uma terminação dada a uma Frente Parlamentar do Congresso Nacional, composta apenas por políticos evangélicos que combate temas como igualdade de gênero, aborto, casamento homo afetivo, dentre outros correspondentes às suas ideologias. Todos os anos a liderança da Bancada precisa ser renovada e no último ano não foi diferente.

Da igreja Assembleia de Deus, Ministério Madureira, Cezinha de Madureira (PSD) foi eleito o novo líder da Frente Parlamentar Evangélica, sucedendo o deputado Silas Câmara (Republicanos). O pastor Cezinha assumirá a liderança até o final de 2021, quando outra eleição acontecerá para definir o seu sucessor. O novo líder, como manda o protocolo, precisa estar afinado às ideias do grupo que representa; Cezinha, nesse sentido, não só está afinado, como de tal maneira que beira o despreparo.

Contumaz apoiador do Presidente, Cezinha de Madureira, desde que assumiu a liderança da Bancada Evangélica, demonstra traços de inabilidade também encontrados, facilmente, em seu apoiado. Exemplo disso é o perfil da Frente Parlamentar Evangélica no Instagram que, sob comando de Cezinha, tem feito postagens intolerantes e descabidas, como o post do dia 26 de janeiro que afirma: “O Estado é laico, mas o Brasil é de Jesus”. Essa afirmação, em seu conteúdo ideológico, em muito se assemelha ao caráter “terrivelmente cristão” sustentado pelo Presidente e sua turma como aceito arquétipo para o país.

O próprio Cezinha, inclusive, se faz participante desta alcunha “terrível”, uma vez que sua eleição a deputado federal, com 119 mil votos, corrobora com a estruturação do projeto de poder almejado por sua igreja. Ele mesmo, em entrevista à Folha, afirmou que está no Congresso porque a igreja o elegeu e, por isto, responde ao seu povo. A figura contraditória do novo líder da Bancada Evangélica é explorada desde 2014, quando seu nome apareceu na lista de propinas pagas no escândalo envolvendo a JBS. Já era de se esperar, portanto, que comportamentos inadequados viessem à tona, não só por parte do deputado líder, mas também de toda a estrutura gerida por ele.

No último dia 28, ainda por meio do Instagram, a Frente Parlamentar Evangélica publicou um posicionamento, em forma de comunicado, sobre o protocolo de pedido de impeachment do Presidente Bolsonaro. O post afirma que “tal pedido não representa a posição da maioria dos evangélicos brasileiros, os quais continuam a orar e interceder pelo sucesso do Governo e bem da nação”. A publicação gerou revolta em alguns seguidores do perfil que consideraram, com razão, o comunicado arrogante e vergonhoso, além de “ofensivo ao povo de Deus”.


É importante ressaltar que, devido às circunstâncias danosas as quais o país está submetido, o posicionamento de uma bancada parlamentar deveria ser de cobrança e exigência de obrigações inerentes ao governo federal que, no momento, estão sendo negligenciadas, de forma irresponsável. À esta altura, na qual o país enfrenta uma crise sem precedentes nas mais diversas áreas, não cabe esta defesa apática e desligada da realidade, quando todos os sinalizadores apontam para o descaso.

Diferente do deputado Silas Câmara (Republicanos), líder anterior, cujo trabalho bem representou o bom senso, pautado numa postura republicana e um direcionamento de comunicação mais compreensivo e equilibrado, a condução de Antonio Cezar Correira Freire, o Cezinha de Madureira, à frente da Bancada Evangélica é desrespeitosa com o sério público evangélico que compreende o momento atual e dispõe de uma luta em prol da mudança. Ao contrário, é mais uma forma de mostrar como a simulação ardilosa, pensada por Bolsonaro e seus aliados, funciona, baseada em interesses quase sempre econômicos e por poder.


8 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo